mia couto
Mia
Couto
é
aquilo
que
entendo
por
'escritor
da
terra'.
Precisamente
porque,
na
sua
expressão
absolutamente
única,
originalíssima,
escreve
e
descreve
as
próprias
raízes
do
mundo,
explorando
a
própria
natureza
humana
na
sua
relação
umbilical
com
a
terra.
A
sua
linguagem
extremamente
rica
e
muito
fértil
em
neologismos
confere-lhe
um
atributo
de
singular
percepção
e
interpretação
da
beleza
interna
das
coisas.
Cada
palavra
inventada
como
que
adivinha
a
secreta
natureza
daquilo
a
que
se
refere,
e
entendemo-la
como
se
nenhuma
outra
pudesse
ter
sido
utilizada
em
seu
lugar.
As
imagens
de
Mia
Couto
evocam
necessariamente
em
nós
a
intuição
de
mundos
fantásticos
e
em
certa
medida
um
pouco
surrealistas,
subjacentes
ao
mundo
em
que
vivemos,
que
nos
envolvem
de
uma
ambiência
terna
e
pacífica
de
sonhos
–
o
mundo
vivo
das
histórias.
Pode
dizer-se,
creio,
que
Mia
Couto
sobressai
como
excelente
contador
de
histórias.
Através
delas,
consegue
manter-nos
em
contacto
com
um
pulsar
interno
que
coincide
com
a
própria
respiração
da
terra.
biografia:
Mia Couto nasceu na Cidade da Beira (Moçambique) em 1955, filho de uma família de emigrantes portugueses. Publicou os primeiros poemas no "Notícias da Beira", com 14 anos. Em 1972, deixou a Beira e partiu para Lourenço Marques para estudar Medicina. A partir de 1974, começou a fazer jornalismo, tal como o pai. Com a independência de Moçambique, tornou-se director da Agência de Informação de Moçambique (AIM). Dirigiu também a revista semanal "Tempo" e o jornal "Notícias de Maputo".
Em 1985 formou-se em Biologia pela Universidade Eduardo Mondlane. Foi também durante os anos 80 que publicou os primeiros livros de contos. Estreou-se com um livro de poemas, "Raiz de Orvalho" (1983), só publicado em Portugal em 1999. Depois, dois livros de contos: "Vozes anoitecidas" (1986) e "Cada Homem é uma Raça" (1990).Em 1992 publicou o seu primeiro romance, "Terra Sonâmbula". A partir de então, apesar de conciliar as profissões de biólogo e professor, nunca mais deixou a escrita e tornou-se um dos nomes moçambicanos mais traduzidos: espanhol, francês, italiano, alemão, sueco, norueguês e holandês são algumas línguas. Outros livros do autor: "Estórias Abensonhadas" (1994); "A Varanda do Frangipani" (1996); "Vinte e Zinco" (1999); "Contos do Nascer da Terra" (1997); "Mar me quer" (2000); "Na Berma de Nenhuma Estrada e outros contos" (2001); "O Gato e o Escuro" (2001); "O Último Voo do Flamingo" (2000); "Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra" (2002). "O Fio das Missangas" (2004) é o seu último livro de contos.
Em 1999 foi vencedor do prémio Vergílio Ferreira pelo conjunto da obra, um dos mais conceituados prémios literários portugueses, no valor cinco mil euros, que já premiou Maria Velho da Costa, Maria Judite de Carvalho e Eduardo Lourenço, entre outros. Em 2001, recebeu também o Prémio Literário Mário António (que distingue obras e autores dos países africanos lusófonos e de Timor-Leste) atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian por "O Último Voo do Flamingo" (2000).
[por questões de organização, inclui-se aqui excepcionalmente o livro de poesia Raiz de Orvalho e Outros Poemas]
raiz de orvalho e outros poemas
vozes anoitecidas
estórias abensonhadas
cada homem é uma raça
contos do nascer da terra